Um aposentado construiu um barco de 22 metros no quintal de sua casa, utilizando um motor de ônibus e materiais reaproveitados. A embarcação, batizada de SV Seeker, foi montada em Tulsa, nos Estados Unidos, a centenas de quilômetros do oceano.
O responsável pelo projeto é Doug Jackson, que decidiu enfrentar o medo de realizar grandes feitos após se aposentar da área de tecnologia. Ele dedicou oito anos de sua vida à montagem do veleiro de aço, projetado para servir como laboratório de pesquisas oceanográficas gratuitas.
A construção ganhou fama internacional através do YouTube, onde cada etapa foi documentada. Essa exposição atraiu centenas de colaboradores voluntários de diversos países, que viajaram até Tulsa para ajudar na construção artesanal do casco e das estruturas internas.
A economia circular foi a base do orçamento, estimado em quase US$ 350.000. O motor principal é um Cummins diesel de 210 cavalos, retirado de um antigo ônibus escolar. Os mastros do veleiro são postes de rede elétrica reaproveitados de ferros-velhos.
O acabamento interno tem origens diversas, incluindo o uso de madeira ipê originária do Brasil, obtida de sobras de decks descartados. Diferente de um iate de luxo, o barco tem o objetivo de oferecer suporte gratuito para biólogos e oceanógrafos.
A embarcação possui alojamentos, porão de carga e uma casa de comando completa para expedições de longa duração. A infraestrutura permite que pesquisadores realizem coletas de dados sem os custos proibitivos de aluguel de navios comerciais.
Apelidado de “o barco que a internet construiu”, o projeto funcionou como um sistema de código aberto físico. O financiamento também contou com a participação de uma comunidade global, que enviou doações e materiais específicos.
O primeiro grande obstáculo logístico foi deslocar a estrutura de 22 metros da residência até o Porto de Catoosa. A distância de 24 quilômetros exigiu uma operação complexa de transporte terrestre.
A partir do porto fluvial, o SV Seeker seguiu viagem pelos rios americanos em direção ao Golfo do México. Cada milha percorrida representa a vitória da persistência de um homem que decidiu trocar o escritório pela oficina.
A história, que rendeu a Doug Jackson o apelido de “Jacques Cousteau caipira”, mostra o poder da colaboração digital e da reutilização inteligente de materiais em prol da ciência e da aventura humana. O projeto transformou o quintal de Tulsa em um canteiro de obras multicultural, unindo pessoas interessadas na democratização da exploração marinha.
