A caminhada é uma das formas mais acessíveis de atividade física e levanta dúvidas comuns, como a prática em jejum e seus possíveis efeitos no emagrecimento.
A ideia de que caminhar em jejum emagrece mais rápido ganhou popularidade, mas não há consenso científico que comprove esse benefício. O corpo até pode usar gordura como energia, porém isso não significa maior perda de peso.
Segundo especialistas, o emagrecimento depende principalmente do balanço calórico diário, e não apenas do estado em que o exercício é realizado. A alimentação adequada continua sendo determinante para resultados consistentes.
Durante o jejum, o organismo tende a buscar energia em reservas como glicogênio e gordura, o que pode parecer vantajoso para quem quer emagrecer.
No entanto, o corpo também pode reagir com queda de energia, já que a principal fonte de combustível durante exercícios é a glicose proveniente dos carboidratos.
O cardiologista e médico do esporte Nabil Ghorayeb alerta que a prática de exercícios em jejum pode ser prejudicial e não traz benefícios reais à saúde.
Segundo ele, o organismo precisa de energia constante para o esforço físico, e a falta de alimentação pode gerar complicações importantes. Antes de optar por qualquer estratégia de treino, é importante conhecer os possíveis efeitos negativos.
A recomendação geral para a prática da caminhada é de cerca de três vezes por semana, garantindo equilíbrio entre atividade e recuperação do corpo.
Estudos também indicam a meta de aproximadamente 180 minutos semanais de atividade aeróbica, que pode ser dividida em sessões menores ao longo da semana.
Não existe um horário único ideal para todos, e isso depende da rotina e do conforto individual de cada pessoa. Do ponto de vista ortopédico, alguns especialistas sugerem o fim do dia, quando o corpo já está mais aquecido, mas do ponto de vista cardiovascular não há restrição específica.
A principal orientação é simples: escolha o horário em que você se sente melhor e consegue manter constância.
Para melhorar o desempenho na caminhada, a hidratação adequada é importante antes, durante e após o exercício. Além disso, uma alimentação equilibrada ajuda a manter a energia e a recuperação muscular, especialmente em atividades regulares.
A caminhada segue como uma das atividades físicas mais populares no país, segundo dados da PNAD 2022 em parceria com o Ministério do Esporte.
O levantamento mostra que cerca de 24,6% dos brasileiros praticam corrida ou caminhada com frequência, reforçando o papel da atividade na saúde pública e no bem-estar da população.
Praticar exercícios de forma segura envolve considerar as características pessoais. Uma pessoa que nunca treinou em jejum, por exemplo, não deve iniciar a prática sem orientação profissional. O mal-estar, como tontura ou fraqueza, é um sinal comum de que o corpo não está se adaptando bem a essa condição.
Outro ponto é a intensidade do exercício. Uma caminhada leve em jejum pode ser tolerada por alguns, mas atividades mais intensas exigem combustível adequado. Sem a nutrição correta, o rendimento cai e o risco de lesões pode aumentar, pois a fadiga muscular aparece mais cedo.
Portanto, a decisão de caminhar em jejum não deve ser baseada apenas na busca por uma perda de peso acelerada. O mais indicado é estabelecer uma rotina de exercícios regular e combiná-la com hábitos alimentares saudáveis, garantindo assim resultados duradouros e uma melhor qualidade de vida.
