O Ministério da Saúde suspendeu temporariamente a aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. A decisão foi tomada após a identificação de reações adversas graves durante o monitoramento pós-vacinação.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou a suspensão preventiva da estratégia de vacinação que utilizava o imunizante do Butantan. A medida afeta profissionais da atenção primária à saúde e projetos-piloto em cidades selecionadas.
Segundo a pasta, cerca de 500 mil doses já haviam sido aplicadas quando os sistemas de vigilância identificaram eventos adversos considerados mais severos. A suspensão permanecerá em vigor até a conclusão das investigações.
Foram registrados 42 episódios de reações adversas graves temporalmente associados à vacinação. Alguns eventos não haviam aparecido durante os estudos clínicos anteriores à aprovação do imunizante. Entre os registros, três casos foram classificados como mais graves, incluindo dois óbitos. Até o momento, não há comprovação científica de que as ocorrências tenham sido causadas diretamente pela vacina.
A suspensão permitirá que o Ministério da Saúde, a Anvisa e o Instituto Butantan aprofundem a análise dos casos. O objetivo é identificar possíveis fatores em comum entre os pacientes afetados. As investigações avaliarão diversos aspectos relacionados à vacinação.
Apesar da interrupção, o governo informou que as doses já distribuídas permanecerão armazenadas nas redes de frio de estados e municípios. A orientação é preservar os imunizantes até uma conclusão definitiva das análises. Segundo Alexandre Padilha, a medida tem caráter preventivo, e as vacinas não devem ser descartadas, apenas deixarão de ser aplicadas temporariamente.
O Ministério da Saúde destacou que a suspensão não envolve a vacina contra a dengue disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) para crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos. O diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Eder Gatti, reforçou que o imunizante da rede pública regular não faz parte da investigação.
As autoridades afirmam que pessoas vacinadas não precisam entrar em pânico. Os dados disponíveis indicam proteção contra os quatro sorotipos da dengue. Mesmo assim, o Ministério da Saúde realizará um acompanhamento especial dos indivíduos vacinados nos últimos 21 dias para identificar rapidamente qualquer novo sinal de alerta.
