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Parar de fumar após os 50: por que a idade não é obstáculo

Pneumologista explica que interromper o tabagismo reduz riscos cardiovasculares e respiratórios em qualquer fase da vida, mesmo após décadas de consumo

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Parar de fumar após os 50: por que a idade não é obstáculo

Interromper o consumo de cigarro, charuto ou dispositivos eletrônicos traz ganhos para a saúde em qualquer idade, mesmo depois de décadas de exposição ao tabaco. A informação é do pneumologista Cristiano Nascimento, superintendente nacional de Práticas Assistenciais da operadora de saúde MedSênior, que reforça o alerta às vésperas do Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado em 29 de agosto.

Segundo o Vigitel 2024, pesquisa de vigilância de fatores de risco do Ministério da Saúde, 11,5% dos adultos entrevistados nas capitais brasileiras e no Distrito Federal se declararam fumantes. Ao somar quem usa cigarro convencional e quem utiliza dispositivos eletrônicos, esse percentual sobe para 13,1% da população adulta dessas regiões.

O levantamento também mostra que o hábito segue presente entre pessoas mais velhas: 12,4% dos entrevistados de 55 a 64 anos declararam fumar cigarro ou usar dispositivo eletrônico, e o índice foi de 10,6% entre os que têm 65 anos ou mais.

Por que a idade não deve ser desculpa para não parar

Nascimento afirma que existe uma percepção equivocada de que, após muitos anos fumando, deixar o hábito não traria mais benefícios relevantes. Para o médico, o raciocínio deveria considerar não apenas o tempo de consumo já vivido, mas os anos de vida que ainda restam pela frente.

"Nunca é tarde para parar de fumar (...) Interromper a exposição às substâncias tóxicas do tabaco contribui para preservar a saúde, a capacidade funcional e a qualidade de vida", afirma o pneumologista Cristiano Nascimento, em informações divulgadas pela MedSênior.

Riscos vão além do câncer de pulmão

Embora o câncer de pulmão seja a doença mais associada ao tabagismo, o impacto do cigarro atinge diversos órgãos e sistemas. O consumo de derivados do tabaco está ligado a doenças cardiovasculares, respiratórias e a tumores em diferentes regiões do corpo, incluindo boca e garganta.

Entre as condições respiratórias associadas ao hábito está a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, conhecida como DPOC, que limita de forma persistente a passagem de ar pelos pulmões e pode incluir alterações como o enfisema. Falta de ar, tosse contínua, chiado no peito e dificuldade para realizar tarefas do dia a dia estão entre os sintomas de alerta.

O especialista chama atenção para um padrão comum entre pacientes mais velhos: a adaptação silenciosa da rotina às limitações respiratórias. A pessoa passa a evitar escadas ou reduzir caminhadas sem perceber que o cansaço crescente pode ter uma causa a ser investigada, e não apenas o avanço da idade.

Charuto e vape não são alternativas seguras

A forma diferente de consumo não torna o charuto uma opção de menor risco. Mesmo sem a tragada característica do cigarro, há exposição à nicotina e a substâncias tóxicas e cancerígenas, com associação a cânceres de boca, língua, garganta e esôfago.

Os dispositivos eletrônicos para fumar, populares principalmente entre públicos mais jovens, também representam riscos. Segundo o pneumologista, os aerossóis produzidos por esses aparelhos podem conter substâncias nocivas ao organismo, mesmo em líquidos sem nicotina. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proíbe a fabricação, importação, venda, distribuição e propaganda desses dispositivos, o que não impede sua circulação irregular no país.

O que o corpo ganha após a última tragada

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), os efeitos positivos de deixar o cigarro aparecem rapidamente e se acumulam ao longo do tempo:

  • Após 20 minutos: a pressão arterial e o pulso voltam aos níveis normais;
  • Após 8 horas: o nível de oxigênio no sangue se normaliza;
  • Após 3 semanas: respiração e circulação apresentam melhora perceptível;
  • Após 1 ano: o risco de morte por infarto do miocárdio cai pela metade.

Passos práticos para quem decide parar

A dependência da nicotina combina componentes físicos e comportamentais, por isso o processo de parar de fumar costuma exigir mais do que força de vontade isolada. O tratamento pode envolver acompanhamento comportamental e, quando indicado por um profissional, o uso de medicamentos.

Algumas medidas citadas pelo especialista podem apoiar essa transição: definir uma data para largar o cigarro, identificar situações que despertam vontade de fumar, retirar cigarros e isqueiros de casa, alterar pequenas rotinas associadas ao hábito e contar com apoio de familiares e amigos. A avaliação profissional é indicada para medir o grau de dependência e escolher a estratégia mais adequada a cada caso.

O que fazer com essa informação

Os dados do Vigitel mostram que o tabagismo permanece presente mesmo entre pessoas com mais de 55 anos, público em que os riscos de doenças cardiovasculares e respiratórias já tendem a ser mais altos por outros fatores. Isso reforça a orientação médica de que sintomas como falta de ar persistente e tosse contínua não devem ser atribuídos automaticamente ao envelhecimento, especialmente em quem fuma ou fumou por longos períodos.

Quem deseja parar de fumar, independentemente da idade ou do tempo de consumo, encontra no sistema de saúde apoio para avaliar o grau de dependência e definir a abordagem mais indicada, que pode incluir acompanhamento comportamental isolado ou combinado a medicação. As tentativas anteriores que não tiveram sucesso não indicam que uma nova tentativa esteja fadada ao mesmo resultado, e a busca por orientação profissional segue como o caminho recomendado para quem enfrenta dificuldade em interromper o hábito sozinho.

Fontes consultadas

Mais sobre isso: a seção de dietas do Saúde Dicas e as dicas de beleza.

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