O consumo global de cerveja enfrenta uma retração em 2025, levando grandes produtores a buscar novas estratégias diante da mudança de hábitos dos consumidores, do aumento de custos e da maior procura por bebidas sem álcool. De acordo com a BarthHaas, maior comerciante de lúpulo do mundo, a produção mundial de cerveja caiu 0,7% no ano passado, totalizando 189,6 bilhões de litros. O levantamento inclui as cervejas sem álcool, segmento que cresce em vários países.
A queda foi registrada em mercados importantes. Na Europa, a produção recuou 1,6%, chegando a 51 bilhões de litros. A Alemanha, tradicional referência no setor, enfrenta uma crise. O país produziu 7,9 bilhões de litros, mantendo a sexta posição entre os maiores produtores, atrás de China, Estados Unidos, Brasil, México e Rússia.
Enquanto vários países tiveram retração, o Brasil apresentou crescimento. A América do Sul registrou alta de 1,7%, impulsionada pelo mercado brasileiro, que ultrapassou 15 bilhões de litros produzidos em 2025.
A China segue como líder mundial, responsável por mais de um sexto da produção global, mas também registrou queda. O mesmo ocorreu com Estados Unidos, Japão, Coreia do Sul e Vietnã. Nos Estados Unidos, a produção caiu quase 1 bilhão de litros, ficando em pouco mais de 17 bilhões. O México, por outro lado, cresceu e se aproximou dos 15 bilhões de litros.
Na Alemanha, a situação preocupa os fabricantes. Dados do Departamento Federal de Estatísticas mostram que as cervejarias alemãs tiveram, em 2025, a maior queda nas vendas desde o início da série histórica, em 1993. O recuo foi de 6%, para cerca de 7,8 bilhões de litros.
Empresas tradicionais passaram a adotar novas estratégias. A cervejaria Veltins, por exemplo, elevou as vendas de bebidas no primeiro semestre de 2026 após adquirir uma marca de cerveja sem álcool, enquanto sua linha principal registrou queda. O Grupo Warsteiner anunciou o fechamento de uma unidade e a venda de outra fábrica, afetando cerca de 220 empregos. Segundo a Associação Alemã de Cervejeiros, aproximadamente 100 cervejarias fecharam desde o fim de 2019.
Entre os fatores para a queda estão o aumento dos custos de produção, energia, transporte e embalagens, além da mudança nos hábitos dos consumidores. Na Alemanha, especialmente entre os mais jovens, cresce o número de pessoas que optam por não consumir álcool. As cervejarias passaram a investir em alternativas como bebidas sem álcool, refrigerantes, energéticos e águas saborizadas.
A cerveja sem álcool já representa mais de 10% do mercado alemão, transformando o país em um dos líderes europeus nesse segmento. Especialistas alertam, no entanto, que o mercado de bebidas alternativas pode atingir um limite, já que o aumento da oferta pode superar a demanda. A previsão da BarthHaas é que a produção mundial de cerveja permaneça estável ou registre nova pequena queda em 2026, com o crescimento em mercados emergentes sendo compensado pela retração na Europa e América do Norte.
